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Gaia Ciência

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Quem foi Juana Manso e porque a google lhe dedica um doodle!

Juana Manso foi uma mulher que se destacou na sua vida e que a google não quis esquecer.

Juana Manso nasceu a 26 de Junho de 1819, em Buenos Aires, tendo sido uma feminista muito antes de a palavra "feminismo" assumir um significado na linguagem moderna. Proveio de uma familia isilada e lutou toda a sua vida pelos direitos das mulheres e das crianças.

Juana Manso teve muitos papeis durante a sua vida, nomedamente foi jornalista, romancista, tradutora, ativista e professora. É importante realçar que ela viveu numa época em que a esmagadora maioria das pessoas na sociedade pensava que o lugar de uma mulher era em casa a tratar das lides e dos filhos.

 

Juana Manso

 

Quando era jovem Juana Manso criou uma escola em Montevidéu (Uruguai), semeando as sementes de sua carreira impactante. Nos anos seguintes, ela foi se alternando entre Argentina, Uruguai e Brasil, com algumas passagens pelos EUA e Cuba.

Sempre fiel e lutadora pelas suas convicções, acabou por escrever artigos sobre a emancipação das mulheres, bem como um compêndio da história argentina que foi usado nas escolas do país. Juana Manso também escreveu as novelas históricas "La familia del Comendador" e "Misterios del Plata", que falaram contra a escravidão e o racismo, sendo um assunto tabu na altura. 

Juana Manso foi uma das principais e mais notáveis defensoras da coeducação e encontrou um colaborador de mentalidade semelhante, o seu colega intelectual Domingo F. Sarmiento, que a ajudou a convencer os diretores de uma escola experimental para meninos e meninas em Buenos Aires, em 1858.

Convencida de que a educação era fundamental para a emancipação das mulheres, ela ocupou-se de forma persistente de promover a educação em geral, e especialmente das mulheres.  Ela sempre defendeu uma educação livre, metódica, mista, científica e aberta a todas as classes sociais. Juana Manso foi considerada a iniciadora de um movimento de educação mista.

Foi uma feminista incansável, sendo a fundadora da revista semanal (que na altura se designavam de semanário) "Album de Señoritas"

Juana Paula Manso de Noronha

Quando tina 20 anos, em 1839, Juana Manso e a sua família foram perseguidos pelo governo de Rosas, fazendo com que tivessem que fugir para o Uruguai. Lá, passa a ensinar a mulheres diversos tipos de artes, até que é convidada para escrever em periódicos.

Foi autora de várias novelas históricas que denunciavam as más situações dos desfavorecidos da época: crianças e mulheres. Projeto esse que antecedeu o seu famoso “Jornal das Senhoras”, em que foi redatora nos primeiros seis meses no Rio de Janeiro (a última etapa do seu exílio foi no Brasil).

 

Juana Manso faleceu no ano 1875, mas hoje a Google não quis deixar passar o aniversário de Juana Manso com um Doodle brincalhão da artista convidada Mariana Ruiz Johnson, ilustradora argentina de livros infantis, incluindo Mama e Sleep Tight. "Como feminista e criadora de livros infantis, eu estava interessada no legado de Juana Manso", diz Johnson. "Foi uma honra fazer este Doodle". O artista, que descreve seu trabalho como "colorido, ornamentado, surrealista", conta a arte popular latino-americana, contos de fadas, memórias de infância e seu filho de cinco anos entre sua chave Inspirações.

Campeonato Mundial de Taekwondo de 2017 tem direito a um doodle da google

O Campeonato Mundial de Taekwondo de 2017 já começou em Muju, na Coreia do Sul.

A google não quis deixar esquecido esse evento que começa a 22 de Junho e termina a 30 de Junho, dedicando um doodle ao Campeonato Mundial de Taekwondo de 2017 na Coreia do Sul.

O Campeonato Mundial de Taekwondo é um campeonato realizado com uma periodicidade de dois em dois anos pela World Taekwondo Federation.

Um desporto que requer integridade, perseverança, autocontrole e espírito indomável... que poderemos testemunhar no Campeonato Mundial de Taekwondo de 2017, durante a próxima semana. Ah, e também assistiremos a algumas joelhadas bastante impressionantes e aos opostos pontapés redondos.

Campeonato Mundial de Taekwondo de 2017

O Campeonato Mundial de Taekwondo, realizado pela Federação Mundial de Taekwondo, tem lugar todos os anos desde 1973. Tirando os Jogos Olímpicos, são o evento mais prestigiado para aqueles que praticam o desporto – de facto, os sete dias de pontapés e socos apresentam mais atletas de um número maior de nações do que o evento olímpico de quatro dias.

É previsível que vários desportistas talentosos venham a destacar-se no campeonato deste ano, e as suas carreiras serão seguidas com atenção pelos entusiastas do taekwondo à medida que os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 se aproximam.

 

Apesar de ser um fato que o taekwondo seja um desporto intenso no aspeto físico, as suas raízes filosóficas centram-se em torno da construção de uma sociedade mais pacífica. Ao cultivar uma essência de respeito, humildade e autocontrole no indivíduo, os praticantes de taekwondo visam inspirar esse senso de responsabilidade e espiritualidade em outras pessoas através das suas ações e ensinamentos.

Este é o doodle comemorativo divulgado pela google: 

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O criador deste doodle tem esse senso de comunidade e diversidade dos campeonatos em mente. Ao ver os praticantes de taekwondo a transformar a cor, a idade e o género, lembramos os muitos atletas e campeões deste desporto.

 

História do Taekwondo

O taekwondo é uma arte marcial com mais de dois milénios de existência, mas só se tornou desporto na segunda metade do século XX, após a Coreia – o seu país de origem – se ter tornado independente do Japão. Durante vários séculos, integrou ainda de forma vincada a cultura coreana como atividade de recreação.

 

Em 1957, os vários tipos de escolas foram fundidos num único estilo e volvidos alguns anos já se registava a existência de alguns praticantes fora daquela península asiática.

O primeiro Campeonato Mundial de taekwondo teve lugar em 1973 e a estreia nos Jogos Olímpicos, ainda como modalidade de demonstração, ocorreu, como não podia deixar de ser, quando Seul, a capital da Coreia do Sul, organizou os Jogos, em 1988.

O domínio dos atletas do país anfitrião foi quase total, pois em oito categorias ganharam sete títulos e uma medalha de prata. Quatro anos volvidos, em Barcelona, o taekwondo regressou com o mesmo estatuto, ainda sem integrar o programa das modalidades oficiais.

 

Em Sydney, no ano 2000, teve lugar a promoção que se aguardava, levando em conta que este desporto é praticado por 50 milhões de pessoas em 160 países. Esta estreia no seio da "nata" dos desportos olímpicos contou com quatro escalões em cada sexo, ou seja, metade do que é contemplado nos Campeonatos do Mundo.

 

A Federação Portuguesa de Taekwondo foi fundada em 27 de novembro de 1992 e iniciou a sua atividade no ano seguinte. É filiada na World Taekwondo Union. Em Portugal, existem mais de milhar e meio de praticantes.

 

Quem foi Oskar Fischinger e qual o motivo da Google dedicar um doodle

Saiba quem foi Oskar Fischinger cujo aniversário 117º é celebrado hoje 22 de Junho de 2017. Oskar Fischinger é um influente cineasta e artista visual Oskar Fischinger (1900-1967), um norte-americano de origem alemã.

Os filmes de Oskar Fischinger, a maioria dos quais feitos nas décadas de 1920 e 1930, deixaram impressionadas muitas pessoas – como é que ele conseguia fazer tanta magia sem computadores?

 

No mundo do design e das artes gráficas, Oskar Fischinger tornou-se uma figura verdadeiramente imponente, especialmente na área da animação.

Oskar Fischinger é mais conhecido pela sua capacidade de combinar visões abstratas sincronizadas com acompanhamento musical, com cada quadro cuidadosamente desenhado ou fotografado à mão. Mestre do movimento e da cor, Fischinger passou meses – às vezes anos – planeando e fazendo cada uma das suas animações.

Oskar Fischinger

 

Embora Oskar Fischinger seja mais conhecido pelos seus filmes, ele também foi um pintor prolífico, criando inúmeras obras que capturam o movimento dramático e os sentimentos das suas películas num único quadro. Insatisfeito com a mídia tradicional, ele também inventou um engenho, o Lumigraph, para gerar exibições cromáticas fantásticas com movimentos de mão – uma espécie de pintura ótica em movimento e um precursor da mídia interativa e dos jogos multi touch.

Mesmo com a tecnologia avançada que atualmente existe, a emulação do trabalho de Fischinger é uma tarefa impossível. As suas cores e movimentos foram cuidadosamente planeados, mas de forma descontraída, tornando o tempo do artista tão precioso, mas continuando humano.

O doodle interativo do dia 22 é uma homenagem da Google à obra magnífica de Oskar Fischinger, permitindo que você crie a sua própria música visual. 

A google assinala o doodle comemorativo do aniversário de Oskar Fischinger com as seguintes palavras de agradecimento:

Agradecimentos especiais a Angie Fischinger, a criança mais nova de Oskar, que desempenhou um papel integral na realização desse projeto. Abaixo, ela compartilha alguns pensamentos sobre o trabalho e a vida de seu pai:

Meus pais eram imigrantes alemães. Eles foram forçados a deixar a Alemanha em 1936, quando ficou claro que meu pai não poderia prosseguir seu trabalho como cineasta lá (a vanguarda foi considerada degenerada por Hitler e sua administração). Mas muitas pessoas que já viram seus filmes reconheceram sua grandeza. Ele recebeu uma oferta para trabalhar na MGM e ficou em Hollywood após a guerra.

Meu pai estava incrivelmente dedicado a sua arte - alguns até o chamavam de teimoso. Sua paixão e honestidade faziam parte de seu brilho, mas eles também poderiam fazer com que ele fosse um pouco difícil de trabalhar. Às vezes, nossa família lutou financeiramente como resultado, então todos entraram - as crianças conseguiram rotas de papel ou faziam babá.

Nós fomos criados em um ambiente saudável e trabalhador. Fomos felizes, intelectualmente estimulados e dedicados à educação. Graças ao apoio e encorajamento da minha família, graduei-me do estado de San Jose e ensinei no sistema escolar público por 30 anos.

Eu me sinto incrivelmente orgulhoso da minha família e estou encantado por ser filha de Elfriede e Oskar Fischinger. Isso significa muito para mim ver esta celebração da arte do meu pai. É maravilhoso saber que seu trabalho, que tem sido constantemente elogiado desde a década de 1920, continuará recebendo reconhecimento mundial.

Quem foi Susan La Flesche Picotte e porque a google lhe dedica um doodle

Quem foi Susan La Flesche Picotte e que feitos conseguiu na sua vida? Susan La Flesche Picotte (1865-1915), foi a primeira mulher índia americana a obter um diploma de medicina.


google dedica hoje um doodle ao aniversário de uma mulher chamada Susan La Flesche Picotte que marcou a história Americana. Picotte cresceu em Nebraska na reserva de Omaha, desde cedo o seu pai lhe pediu que ela fosse lutar por "ser alguém no mundo". Ela ganhou força e procurou fazer a vontade ao seu pai, deixou a aldeia e migrou para o leste, vindo a frequentar o Women's Medical College of Pennsylvania, onde se formou, destacando-se de todos os restantes colegas da turma.

Apesar de receber inúmeras ofertas de emprego de prestígio, Susan La Flesche Picotte preferiu voltar à reserva onde nascera para fornecer os cuidados médicos que sua tribo muito necessitava - atendendo pacientes em 1.350 milhas quadradas a cavalo, não importando se faia bom tempo ou mau tempo, nada a impedia de fazer o seu trabalho.

Susan La Flesche Picotte

 



Susan La Flesche Picotte destacou-se por ter sido também uma defensora da saúde pública e reformadora social. Ela promoveu diversas práticas de higiene que salvaram muitas vidas, como a eliminação de copos comunitários e a instalação de portas de tela para evitar insetos portadores de doenças.

Contudo aquele que veio a ser considerado o seu feito mais notavel, foi em 1913, quando ela pessoalmente conseguiu fundos para construir um hospital moderno na sua cidade natal.

A notável carreira de Susan La Flesche Picotte como médica e promiovedora da saúde apenas roça a superfície de seu legado. Ela era muito mais do que uma médica da reserva - ela também era uma conselheira, confidente e símbolo de esperança para o Omaha.

Dado que Susan La Flesche Picotte foi uma mulher que ficou para a história pelos seus feitos altruistas, todos devemos louvar os seus atos e nao deixar cair no esquecimento.

Agora já sabe quem foi Susan La Flesche Picotte e conhece alguns dos seus feitos que ficaram na história!

Quem foi D. Afonso V, o Africano saiba mais sobre a sua vida e seu reinado

D. Afonso V foi o décimo segundo rei de Portugal, apesar de ser um dos reis menos conhecidos da nossa história, é importante conhecer mais sobre a sua vida.

D. Afonso V era filho de D. Duarte e de D. Leonor de Aragão. Testemunhos escritos descrevem-no como um homem de presença forte e graciosa: "Grande, e robusto do corpo, de presença verdadeiramente real, e agradável. O cabello da cabeça, e barba comprido, e castanho, e ordinariamente o trazi mui composto. Fallou a lingua Portugueza com natural eloquencia, e tanta composição que sempre sua pratica parecia estudada".

 

D. Afonso V tinha uma personalidade muito rica, conciliou a intelectualidade e a eloquência com as aptidões de um militar. Nunca lhe faltou a visão de Estado durante um reinado complexo e rico em discórdias e conquistas.

 

Quem foi D. Afonso V

 

Apesar do caráter humanitário e generoso, não esteve isento de duras críticas. Havia quem considerasse que a sua irresponsabilidade e fraqueza eram usadas pelos nobres, pois concedeu-lhes muitos privilégios e não prosseguiu com a política centralizadora implementada pelos seus antecessores.

 

Antes de tomar qualquer decisão importante, D. Afonso V consultava a opinião dos outros, o que levou muitas pessoas a pensar que ele nada fazia por iniciativa própria. Provavelmente, pretendia conciliar o reforço da organização e do crescimento do reino e dos poderes da Coroa com uma distribuição do poder pelos nobres, que tentava reforçar com a finalidade de estes virem a ser úteis.

 

A sua política expansionista também causou desentendimentos. Por um lado, agradava a nobreza, desejosa de obter fama e adquirir bens, mas, por outro, enfrentou a oposição daqueles que preferiam um bom governo do reino em vez das aventuras além-fronteiras. A opção pela expansão foi vantajosa. Durante o seu reinado, assistiu-se a acontecimentos muito importantes nos Descobrimentos e à conquista de novas praças marroquinas.

 

Ao mesmo tempo intensificou-se a capacidade comercial portuguesa, bem como a obtenção de resultados económicos favoráveis. Mais uma vez, a posição política de D. Afonso V teve dupla interpretação. Para muitos, esta expansão foi fruto de um simples devaneio ou da pressão da nobreza, para outros, foi uma aposta assente numa estratégia bem planeada. Inegável é que as suas iniciativas possibilitaram a consolidação do poder do reino e reforçaram o seu prestígio.

 

Em termos históricos, o reinado deste monarca pode dividir-se em três períodos distintos. O primeiro estende-se de 1438, quando ascendeu ao trono por morte do pai, até à Batalha de Alfarrobeira (1449).

  D. Afonso V tinha seis anos quando assistiu à morte de D. Duarte, o qual delegou em testamento a regência à sua mulher D. Leonor de Aragão. Este facto desagradou à burguesia e ao povo, que preferiam como regente o infante D. Pedro, irmão de D. Duarte. O conflito entre estas duas posições criou um período de instabilidade política. A rainha veio a abandonar a representação nas Cortes de 1439, sendo D. Pedro declarado "Regedor e Defensor do Reino". Face a esta crise, D. Leonor exilou-se em Castela, mas os conflitos não terminaram, pois mesmo fora do país reivindicava os direitos à regência.

 

A educação de D. Afonso esteve a cargo de D. Pedro, considerado um dos príncipes mais cultos da época, que detinha vastos conhecimentos e múltiplas experiências de viagens, sendo, por isso, conhecido como o Infante das Sete Partidas. O regente era a pessoa ideal para transmitir ensinamentos fundamentais ao jovem.

 

A transferência formal dos poderes para D. Afonso ocorreu quando este atingiu a maioridade, aos 14 anos, em 1446, mas não dispensou o auxílio do tio na governação do reino. A relação entre D. Pedro e o jovem até então tinha sido exemplar. No entanto, as intrigas de alguns membros da nobreza e do clero, que se posicionavam contra o antigo regente, originaram desentendimentos entre os dois, o que levou o monarca a dispensar os serviços do tio e a demitir os seus partidários dos cargos que ocupavam.

 

Frustradas as hipóteses de reconciliação, em 1449 encontraram-se frente a frente na Batalha de Alfarrobeira, na qual D. Pedro foi morto. O rei saiu vitorioso, afirmando a sua determinação e força, características que nunca mais voltaria a demonstrar com tanta intensidade durante o seu reinado.

 

Entretanto, já D. Afonso V estava casado, desde 1446, com a sua prima D. Isabel, filha do infante D. Pedro e de D. Isabel de Urgel, com quem teve três filhos: João (que morreu em criança), Joana e João. O matrimónio acabaria com a morte da rainha, em 1455.

 

A filha do monarca, apesar da oposição da família que a queria casar por questões políticas, optaria pela vida religiosa em clausura, vindo a ser conhecida, após a sua morte, como Princesa Santa Joana. Por sua vez, o príncipe, viria a ser preparado para herdar o trono português e tornar-se D. João II.

 

As campanhas no Norte de África, que anunciam a segunda fase do reinado de D. Afonso V, foram tão notáveis que lhe valeram o cognome de o Africano. Em 1453, assistiu-se à queda de Constantinopla e com o avanço dos turcos na Europa o papa Calisto III apelou a uma Cruzada, a que o rei português respondeu prontamente. Mediante o fracasso desta missão, o monarca virou-se para a conquista de África, interrompida devido à tragédia de Tânger. Em 1458, conquistou-se a praça marroquina de Alcácer Ceguer e, em 1471, Arzila e Tânger.

 

Estas vitórias foram importantes para a expansão portuguesa e D. Afonso V saiu tão dignificado com estas e com outras explorações, que passou a usar o título de Rei de Portugal e dos Algarves, de aquém e de além-mar em África. A expansão seguiu o seu ritmo, mas a responsabilidade de a comandar foi entregue ao filho D. João.

 

A terceira fase do reinado de D. Afonso V foi marcada pela campanha castelhana, que não reuniu consenso. Alguns interpretaram o conflito castelhano como o fruto da ambição desmedida do rei, que visava unir as duas nações ou, simplesmente, do seu instinto de guerreiro. Outros defendiam a sua intervenção pelo relacionamento que mantinha com D. Henrique IV, considerando que deveria defender os seus interesses.

 

Na origem do desentendimento estava a sucessão ao trono castelhano. No testamento, D. Henrique IV, casado com a irmã de D. Afonso V, D. Joana de Portugal, pediu ao cunhado que casasse com a sobrinha Joana. A ela competia suceder no reino de Castela, porém corria o rumor que o rei era impotente e que o seu verdadeiro pai era Beltrán de la Cueva, um fidalgo castelhano, daí a sua alcunha de Joana a Beltraneja. Os partidários da princesa pediram auxílio ao rei português, que, invocando esta cláusula testamentária e visto que era viúvo, decidiu casar com D. Joana e defender os seus direitos ao trono contra os futuros reis católicos, Fernando e Isabel. O matrimónio realizou-se em 1475, mas o papa nunca reconheceu a sua validade.

 

Em consequência desta disputa deu-se a Batalha de Toro, em 1476, na qual o rei português saiu derrotado. Nesse mesmo ano, visitou Luís XI, em França, com a intenção de lhe pedir ajuda na disputa com Castela. Apesar de ter sido recebido com muitas honras, o monarca francês negou-lhe o apoio, que anteriormente lhe havia prometido.

 

Desiludido, D. Afonso V escreveu ao filho ordenando-lhe que assumisse o trono, pois pretendia abdicar do seu poder régio e partir para a Terra Santa. Contudo, movido pelo interesse e pelo amor dos seus súbditos e filhos, regressou ao reino um ano depois e ocupou novamente o trono.

 

Depois deste fracasso político, militar e diplomático, D. Afonso V nunca mais viria a desempenhar as suas funções reais com o sucesso do passado. Renunciando aos direitos à Coroa castelhana e reconhecendo os seus adversários como reis, assinou, em 1479, o Tratado de Alcáçovas, o qual foi ratificado um ano mais tarde.

 

Esta derrota no final do reinado deixou D. Afonso V profundamente abalado e a sua autoridade fragilizada perante a população. Depois disso pouco tempo viveu. Foi sepultado no Mosteiro da Batalha.

 

Saliente-se que, a nível cultural, o Africano foi um protetor das artes e das letras. Era um homem faustoso e estas duas áreas só beneficiaram com esta sua faceta, como provam os painéis de Nuno Gonçalves, as tapeçarias de Pastrana, as honras que ofereceu aos sábios e a sua valiosa biblioteca.

 

Foi durante o seu reinado que foram publicadas as Ordenações Afonsinas, a primeira compilação das leis do reino.